“O impossível não integra nosso dicionário”, Alexandre Aguiar sobre o aniversário do Tricolor na reunião do CD

113 anos de tricolor

O aniversário de 113 anos do Grêmio rendeu um discurso emocionante na sessão solene do Conselho Deliberativo. O nosso amigo e conselheiro  Alexandre Aguiar foi o orador oficial da reunião. “O impossível não integra nosso dicionário. Não há limites para o Grêmio. Não conhecemos obstáculos intransponíveis. Não conhecemos fronteiras”, disse ele.

Abaixo, leia a íntegra do discurso de Alexandre Aguiar

 

OBRIGADO, GRÊMIO!

O Grêmio já me proporcionou todas as alegrias possíveis como torcedor, mas faltam as palavras para expressar a emoção e a honra de ter sido nesta noite de aniversário do nosso Grêmio o orador oficial da sessão solene do Conselho Deliberativo. Emoção aumentada por estar sob a presença de Hélio Dourado, patrono e um titã da nossa história. Agradeço comovido a honrosa escolha e confiança do presidente do Conselho Milton Camargo e a todos os amigos do MGI que estiveram e incentivaram nesta noite especial, sobretudo a pessoa do nosso presidente Bugin. A seguir a íntegra do pronunciamento:

“O melhor dos oradores ou a mais brilhante retórica seria incapaz de expressar o conflito de emoções desta noite. Vivido por cada um de nós. Mas que tenhamos consciência do maior. O dia pode ser de nuvens escuras. O vento pode ser desfavorável. Mas não há tempestade que não passe. Amanhã ou depois, o céu voltará a ser azul. Porque o azul é a regra e tormenta a exceção. A jornada segue, meus amigos gremistas, e a esperança jamais esmorece. Assim somos, assim aprendemos a ser e assim voltaremos a sorrir. Essa é a história do Grêmio. Porque não são as manchetes do noticiário do dia que nos definem. O que nos define é o que construímos até hoje e seguiremos construindo. E é o que estamos aqui nesta noite para reafirmar e, sim, também celebrar.

Com a mesma ousadia e também senso de humildade que os desafios do presente serão superados, no passado, em um 15 de setembro, como hoje, em 1903, começava a ser escrita a magnífica história de um sonho. Do agora passado, do presente e do futuro.

Nascemos numa cidade com 80 mil habitantes. Porto Alegre tinha apenas dois grandes jornais. Rádio, nenhuma. Viria apenas vinte e quatro anos depois. Televisão, levaria meio século. Nestes 113 anos, Porto Alegre foi a um milhão e meio de habitantes. O mundo passou por duas grandes guerras. Os bondes deram lugar aos carros. O homem foi à Lua. Do telégrafo em Morse fomos aos celulares e à comunicação instantânea com o mundo. O Brasil teve TRINTA presidentes. Seis constituições.

Um novo mundo surgiu. E nele, o Grêmio, renovando-se a cada dia e escrevendo páginas de superação, conquista e glória.

Senhoras e senhores. Olhem ao seu redor e vejam onde estão. Imaginem, por um momento, os fundadores do Grêmio, do campo do Moinhos de Vento, chegando agora a este salão e sendo informados que este é o estádio do seu clube, o melhor da América e um dos mais imponentes do mundo. E que em breve será totalmente nosso. Como era o Monumental.

Imaginem, o primeiro presidente do Grêmio aqui conversando com o atual mandatário, e descobrindo que o clube de arrabalde que fundou rompeu divisas para conquistar não só a cidade e o Estado, mas ser campeão do Brasil por seis vezes, da América em duas oportunidades, e também do mundo.

Imaginem, os primeiros torcedores informados que os poucos milhares de 1903 se transformaram em oito milhões. De todas as cores. Todos os credos. Em todos os continentes.

O impossível não integra nosso dicionário. Não há limites para o Grêmio. Não conhecemos obstáculos intransponíveis. Não conhecemos fronteiras.

Em 18 de novembro de 2013, um foguete Atlas partiu de Cabo Canaveral, levando a bordo a sonda MAVEN rumo à Marte. Meses antes inscrevi o nome do nosso Grêmio para que viajasse junto.

Hoje, a sonda, que orbita Marte, a SETECENTOS E ONZE MILHÕES de quilômetros da Terra, carrega a bordo um chip em que estão os nomes de milhares de terráqueos, mas também o nome de um clube de futebol do Sul da América, o Grêmio Football Porto-Alegrense. Presidente Milton Camargo, tenho a alegria de entregar à Vossa Senhoria o certificado da NASA atestando este minúsculo gesto pessoal, mas que, para mim, é muito caro por ter levado a minha e nossa paixão aonde a humanidade ainda sonha pisar um dia.

Senhoras e senhores conselheiros.

Somos imortais, mas não invencíveis.Perder faz parte do processo de vencer. Somos imortais porque o Grêmio é uma história viva que se eterniza. Como a estrela de Everaldo, que jamais se apagará.

E o caminho desta eternidade está na minha e na história de cada um de vocês. Na família. De geração em geração, avós, pais, filhos e netos transmitem a seus descendentes um gene que a ciência não é capaz de mapear porque está na alma de cada um de nós: o de sermos gremistas.

Não escolhi ser gremista. Nasci gremista. Ainda no berço, há mais de quarenta anos, já era sócio do Grêmio. Obra do meu avô, Nilo Amaral, que plantou em mim esta saudável loucura. Hoje ele estaria recluso, quieto, sem chegar perto do rádio, como fazia após um mau resultado, mas estaria orgulhoso do neto que foi a árvore que cresceu da semente que plantou e regou até seu último dia de vida pela sua paixão pelo Grêmio.
Um amigo aqui presente me disse certa feita que eu não gosto de futebol, e sim gosto do Grêmio. Ele tem razão.

Há treze anos tenho a oportunidade de viver o clube de perto. Por convite do Dr. Adalberto Preis e, destaco, do saudoso presidente Iranny Santanna, que pela sua retidão, capacidade de diálogo e ilimitado gremismo foi e continua sendo um modelo de inspiração. Convocado pelo amigo Eduardo Magrisso, retornei a este Conselho há três anos e tenho a máxima honra de conviver ao lado dos senhores e das senhoras, humildemente, como um aprendizado permanente de Grêmio e de vida.

Hoje, ESTOU conselheiro. Oportunidade circunstancial de servir ao Grêmio. Mas SOU gremista, mandato outorgado pela vida e que exercerei para sempre.

Por isso, afirmo… palavras não são suficientes para definir o Grêmio. É um sentimento. Um estado de espírito. Uma soma de sonhos e vidas em que a autoridade máxima é cada torcedor.

Diz o “slogan” deste aniversário que o Grêmio é muito mais que uma história. E é verdade. É a soma de milhões de histórias. De cada gremista. Dos seus torcedores, fiéis e apaixonados donos deste clube. Que não integram o Grêmio do azul. Ou o Grêmio do preto. Ou o Grêmio do branco. Somos todos do Grêmio tricolor. Com os mesmos sonhos, as mesmas aspirações e os mesmos desafios e obstáculos. Jamais esqueçamos o valor maior que nos une. Sim, mesmos nas divisões, somos um só. Visões diferentes podem e devem existir, mas a causa, essa será sempre única e superior. Em que a vitória é de todos e perene, e não dos argumentos com triunfos efêmeros.

Esse é o nosso compromisso com o futuro. Porque nada pode ser maior que o futuro. Não escrito, temos a oportunidade de fazê-lo melhor que o passado.

Esse é o nosso compromisso com quem nasce e cresce gremista hoje.

Nada pode ser maior que o sorriso de uma criança gremista que recebe educação e esporte no Instituto Geração Tricolor.

Nada pode ser maior que o sorriso de uma criança gremista lutando contra um câncer ao receber do Desejo Azul a camisa do seu time do coração num hospital.

Nada pode ser maior, senhoras e senhores conselheiros, que o sorriso e a alegria do menino Joaquim nesta Arena.

—> Assista ao vídeo exibido: https://www.youtube.com/watch?v=R9l8Uk8DyHE

É a este menino e aos milhões de pequenos e pequenas gremistas que nasceram ou ainda nascerão é que temos o dever de legar a eles um século ainda mais gremista que aquele que nos foi legado por nossos pais e avós. Essa é a nossa missão. Esse é o nosso desafio. Esse é o nosso destino. E, se for preciso, até a pé nos iremos!!